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sábado, 10 de outubro de 2009

3ª Semana Brasileira de Catequese

“Gente que fez história na catequese”

A noite do dia 8, na 3ª Semana Brasileira de Catequese (SBC), foi de emoção e alegria pelas homenagens prestadas a quatro especialistas em catequese que acompanha a longa história da catequese no Brasil. A 3ª SBC acontece em Itaici (SP), sob a coordenação da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-catequética da CNBB.

A primeira homenageada foi a missionária de Jesus Crucificado, Irmã Mary Donzelini, que é membro do Grecat e uma das coordenadoras da revista Ecoando, sobre a catequese.

Outra que recebeu os aplausos da assembléia foi a holandesa Inês Broshuis, 86, ex-assessora nacional da catequese. Broshuis é do Instituto Secular Unitas.

O bispo emérito de Londrina (PR), Albano Bortoletto Cavallin, 79, também foi homenageado pelos catequistas. Ele é um dos responsáveis pela elaboração de um dos mais importantes documentos da CNBB sobre catequese, Catequese Renovada, e do Diretório Nacional de Catequese.

Com a mesma homenagem foi agraciado o carmelita, frei Carlos Mesters, um dos maiores incentivadores dos círculos bíblicos nas comunidades. Ele foi um dos conferencistas da 3ª Semana Brasileira de Catequese.

O salesiano, nascido na Alemanha, padre Wolfgang Gruen, de 82 anos, recebeu a mesma homenagem, porém, justificou sua ausência.

Mudanças exigem repensar identidade cristã

“Como fazer da catequese um verdadeiro caminho de discipulado? Será que a nossa catequese é um verdadeiro caminho de discipulado? Quais as novas linguagens que precisamos utilizar para que o seguimento de Jesus e o caminho de discipulado sejam significativos e portadores de vida nova para os catequizando?”

Estas foram as perguntas que a teóloga, Irmã Vera Bombonatto, procurou responder em sua conferência sobre a catequese como caminho para o discipulado. A palestra foi proferida na manhã de hoje para os 480 participantes da 3ª Semana Brasileira de Catequese que a CNBB realiza, desde a terça-feira, 6, na Casa de Retiro da Vila Kostka, em Itaici (SP).

Segundo a teóloga, o momento atual, caracterizado pela mudança e pluralidade, traz o imperativo de repensar a identidade cristã. “Ser cristão não é simplesmente aceitar uma doutrina e ser fiel a determinadas normas, sem dúvida, importantes, mas é seguir uma pessoa que nos atrai a si e conquista o nosso coração: Jesus de Nazaré”, explicou.

Para a religiosa, a catequese deve levar em conta a realidade atual. Para isso “é imprescindível, de um lado, evitar o perigo de uma visão redutiva, fragmentada e estática do seguimento e do discipulado e, de outro recuperar seu significado profundo de sinônimo de totalidade da vida cristã que implica num processo para chegar a realizar em sua plenitude a existência cristã”.

“O grande desafio da catequese é a volta às raízes bíblicas do discipulado, vivido no horizonte do chamado ao seguimento, e sua constante atualização no hoje da nossa história, expressa com novos meios e novas linguagens”, concluiu irmã Vera.

Catequese como caminho para o discipulado

Os participantes da 3ª Semana Brasileira de Catequese (SBC) tiveram uma manhã cheia, nesta sexta-feira, 9, em Itaici (SP). Foram três conferências discutindo a catequese como caminho para o discipulado. Um dos conferencistas foi o bispo de Rondonópolis (MT), dom Juventino Kestering, que é membro do Departamento Missões e Espiritualidade, ao qual está ligada a seção Catequese, do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam).

Segundo dom Juventino, o tema do discipulado ficou esquecido na Igreja. “Ao longo dos séculos este tema [do discipulado] foi sendo reduzido a ponto de quase entrar no esquecimento da prática pastoral. Com o Concílio Vaticano II houve uma renovação na Igreja, especialmente com Lúmen Gentium”, disse.

Dom Juventino explicou que a 3ª SBC tem três inspirações básicas: a bíblia, o documento da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe e o Diretório Nacional de Catequese. De acordo com o bispo, estas “inspirações” estão resumidas no tema do evento, “Catequese, caminho para o discipulado” e no lema: “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”.

“Catequese é um dos caminhos da ação evangelizadora da Igreja. Mas um caminho interligado com outros caminhos, como a liturgia, a dimensão social da fé, ecumenismo, dimensão missionária. Porem a catequese não é qualquer caminho”, acrescentou o bispo.

Catequese deve levar a ser discípulo-missionário de Jesus Cristo

A 3ª Semana Brasileira de Catequese (SBC) contou, nesta sexta-feira, 9, com a presença do prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes que, além de presidir a missa, fez uma conferência sobre o seguimento de Jesus. O cardeal insistiu em que à catequese cabe a tarefa de tornar as pessoas discípulas e missionárias de Jesus Cristo.

“Ser discípulo e missionário faz parte da nossa substancia de cristãos”, disse dom Cláudio. “A catequese deve levar o catequizando a encantar-se com Jesus”.

Para o cardeal, a evangelização vem primeiro que a catequese, mas ambas se complementam. “Hoje não é possível mais separar evangelização e catequese. A catequese também tem que fazer evangelização, dar o primeiro anúncio. Deve levar os catequizandos a fazerem o encontro pessoal com Jesus Cristo. A criança é capaz de fazer a experiência de que Deus a ama”, acentuou.

Segundo dom Claudio, a catequese deve levar o catequizando a fazer em primeiro lugar a experiência de Jesus Cristo. “Depois vem o resto, a doutrina, a relação com os irmãos, com os pobres. Só mesmo enraizados em Jesus Cristo é que nosso amor aos pobres pode perdurar”, disse.

Desafios

Dom Cláudio apontou alguns desafios à catequese. Em primeiro lugar, ele questionou sobre os conteúdos dados na catequese e chamou a atenção para o Catecismo da Igreja Católica e para o uso da memória na catequese. “Não podemos deixar a memória de lado na catequese”, disse.

Outro desafio apontado pelo prefeito da Congregação para o Clero foi exatamente em relação aos padres. “A relação dos párocos com a catequese precisa ser sempre trabalhada”, acentuou. Além disso, considerou como desafios o envolvimento dos pais na catequese de seus filhos e o entrosamento da catequese com a liturgia.

O cardeal encerrou sua conferência com um grande elogio aos catequistas. “Vocês [catequistas] são grandes instrumentos do serviço que a Igreja presta ao mundo”, disse. Em seguida, dom Cláudio se reuniu com os bispos que participam da 3ª SBC.

A 3ª SBC começou na terça-feira, 6, e prossegue até domingo, 11, em Itaici (SP). Nesta sexta-feira, vários assessores aprofundam o tema do discipulado e do seguimento de Jesus. Segundo a organização, todo o conteúdo deverá ser publicado na coleção Estudos da CNBB. Ao final do evento, uma carta será aprovada e enviada às comunidades cristãs.

3ª SBC: Dia do nascituro é lembrado por dom Juventino

“Do primeiro ao último capítulo da bíblia, a palavra de Deus é defensora da vida”. Assim o bispo de Rondonópolis (MT), dom Juventino Kestering, iniciou sua homilia na missa que presidiu, na tarde desta quinta-feira, 8, na 3ª Semana Brasileira de Catequese. Dom Juventino lembrou o Dia do Nascituro, criado pela CNBB em 2005, comemorado hoje por todas as dioceses do Brasil. “Devemos promover a vida pela palavra de Deus”, disse o bispo.

Dom Juventino serviu-se dos textos bíblicos proclamados na liturgia para dizer a missão da catequese. “A missão da catequese é, como o pai e a mãe, ajudar o filho a entender o mistério de Deus e transformar isso em vida”, disse.

Segundo o bispo, a catequese deve criar relações e alimentar a comunidade com o pão da Palavra. “Nossa missão é dar coisas boas aos filhos de Deus no mundo urbano, no mundo da periferia, da mobilidade”.


Ainda hoje, às 20h, dom Juventino, juntamente com Terezinha Cruz, apresenta a memória histórica da catequese.

A 3ª SBC reflete, deste terça-feira, 6, o tema "Iniciação à vida cristã". Organizada pela Comissão Episcopal para Animação Bíblico-catequética da CNBB, a Semana faz parte da programação do Ano Catequético Nacional, proclamado pela CNBB em abril deste ano.


Retirado do Boletim Diário da CNBB - Brasília, 09 de outubro de 2009 - Nº 2230.