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domingo, 13 de junho de 2010

Formação de catequistas - A missão de catequizar

No dia 12 de Junho de 2010 aconteceu no NAPAM ( Núcleo de Animação Pastoral Monsenhor Moraes) mais uma reunião de formação para os catequistas das capelas do Ipu. A formação dos catequistas acontecem todos os segundos sábados de cada mês as sete horas da manhã. Desde 2009 estamos estudando o livro: "Apredendo a ser catequistas formador de discípulos missionários". É um livro da Editora Pão e Vinho, escrito pelo Padre Cristovam Iubel. Não temos pressa de esgotar o estudo deste livro por ser uma formação integral, sólida e de carater permanente. Fizemos em 2009 uma semana catequética tendo com base os temas: "Por que sou catequista", "Grupo de Catequistas", "Formação Pessoal" e "A Espiritualidade do Catequista".
Depois retomamos o livro do primeiro encontro. Hoje fizemos a conclusão do segundo encontro. Demora muito porque o Padre Cristovam indica diversas leituras dos documentos da igreja e mergulhamos, nos aprofundamos em todas elas.
A missão de Catequizar - C I C

A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, que compreende especialmente um ensino da doutrina cristã para a vida em comunidade, de maneira orgânica e sistemática. A catequese deve iniciar sempre com o primeiro anúncio do Evangelho para suscitar a fé; Durante o processo catequético os catequistas precisam mostrar a face de Jesus como razão única de salvação através de sua experiência de vida cristã; Participar assiduamente das celebrações dos sacramentos; Dar testemunho apostólico e missionário. "O catequista precisa deixar transparecer a sua íntima ligação com toda a vida da Igreja. O catequista é um agente pastoral; Um ministro e Apóstolo de Cristo.

Catequese Renovada (1983), nn. 4-29. 2ª Edição. CNBB. São Paulo: Paulinas.

A catequese na história da Igreja, do século I ao século V acontecia como processo de Iniciação.

No tempo dos Apóstolos, a vivência fraterna na comunidade era celebrada na Eucaristia como o ápice da. Na comunidade dos Cristãos se vivia a doutrina dos Apóstolos, seus ensinamentos recebido do próprio Cristo que, pouco a pouco, foi sendo formulado nos Símbolos da Fé (fórmulas condensadas, como o Credo), nas doxologias (aclamações litúrgicas como as que encontramos, por exemplo, em Ef 1,3-14; Rm 1,8; Rm 16,27; 1Cor 1,2-3), e nas orações. Aos poucos se foi formando uma Catequese prolongada e organizada, que tinha como objetivo levar os convertidos à iniciação na vida cristã. Criou-se assim o catecumenato com seus vários graus, que preparava os candidatos à vivência na comunidade cristã, através da escuta da Palavra, das celebrações e do testemunho. A Catequese introduzia progressivamente o catecúmeno na vida cristã dentro da comunidade. Animada pela fé, sustentada pela esperança, exercida através da caridade fraterna, a própria vida da comunidade fazia parte do conteúdo da Catequese. Esta, por sua vez, era o instrumento a serviço de uma entrada consciente na comunidade de fé e da perseverança nela. Catequese e comunidade caminhavam juntas.

Depois do século V, pode-se dizer que a Catequese já não consistia tanto numa iniciação à comunidade de fé, como verificamos na fase anterior. É que a sociedade inteira, em todos os seus aspectos, se considerava animada pela religião cristã, a ponto de se estabelecer uma aliança entre o poder civil e o poder eclesiástico. Foi o que se chamou de cristandade. A Catequese passou a ser um processo de imersão nessa cristandade. Sem esquecer a influência da família, das escolas episcopais e monacais e da pregação, convém ressaltar que a educação da fé se realizava pela participação numa vida social, profissional e artística marcada pelo religioso, num ambiente cristão presente na sociedade inteira.

A partir do século XVI, a catequese passou, conforme as exigências do tempo, a realizar-se por um processo que valorizava mais a aprendizagem individual, na qual já não era tão marcante a ligação com a comunidade. Vários fatores concorreram para que a Catequese se concentrasse no aspecto da instrução. Salientamos entre outros:

a) a preocupação com a clareza e a exatidão das formulações doutrinais, em face das divisões no meio dos cristãos, no tempo da reforma protestante;

b) a descoberta da imprensa e a difusão das escolas, que concentram a Catequese nos textos para o ensino, isto é, nos catecismos. Após as primeiras tentativas católicas, inclusive latino-americanas, Lutero publicou seu catecismo em 1529. Entre 1550 e 1600 apareceram os grandes catecismos inspirados no Concílio de Trento, como o de São Pedro Canísio, em 1555, e o de São Carlos Borromeu, em 1566, e o de São Roberto Bellarmino, em 1597. O valor sempre inspirador dos catecismos, numa época de confusão doutrinal, foi o de apresentar de maneira clara e pedagógica o conjunto dos principais mistérios da fé cristã (cf. CT 13);

c) a influência do iluminismo: segundo este movimento cultural, a inteligência humana, devidamente instruída, é capaz de encontrar sozinha a solução de todos os problemas da humanidade.

No século XX foi-se redescobrindo na Catequese a importância fundamental da iniciação cristã e do lugar primordial que nela cabe à comunidade de fé. Tal tendência foi gradativamente reforçada por vários elementos:

a) os resultados dos movimentos bíblicos, patrístico, litúrgico e querigmático que, na evangelização, contribuíram respectivamente para a revalorização da Bíblia, da Liturgia e do anúncio de Jesus Cristo;

b) as descobertas da psicologia, da pedagogia e de outras ciências humanas, descobertas essas aplicadas aos processos catequéticos;

c) mais recentemente, a renovação inspirada no Concílio Vaticano II (1962-65), explicitada no Diretório Catequético Geral (1971) e animada pelos Sínodos sobre a Evangelização (1974) e sobre a Catequese (1977). Fruto desses dois Sínodos são as exortações apostólicas Evangelii Nuntiandi (EN) de Paulo VI, sobre a Evangelização no mundo de hoje (1975) e Catechesi Tradendae (CT) de João Paulo II, sobre a Catequese hoje (1979);

d) as transformações no próprio mundo pelo progresso tecnológico-científico, explosão demográfica, urbanização, e pela secularização, fruto do positivismo e do tecnicismo.

Esta sociedade, marcada pela massificação, anonimato, impacto dos meios de comunicação de massa, consumismo, libertinagem moral, violência coletiva e desigualdades sociais chocantes, exige, de modo novo e radical, a segurança da pessoa no abrigo de uma comunidade menor, onde possam ser vividos os valores do relacionamento interpessoal.

Na América Latina, a 2ª Conferência Episcopal realizada em Medellín (1968), percebeu esta nova necessidade e, aplicando os ensinamentos do Concílio Vaticano II à nossa realidade continental, redirecionou a catequese para o compromisso libertador nas situações concretas. À luz do documento final de Medellín, confirmado mais tarde pela Evangelii Nuntiandi e pela Conferência de Puebla (cf. P 978-986), a Catequese na América Latina vem procurando realizar-se em estreita ligação com a realidade da vida, para a construção de comunidades de fé. Neste sentido vem levando os catequistas a caminharem com os mais pobres e oprimidos e a partilharem as suas angústias, lutas e esperanças.

Cabe ressaltar, como características positivas que vem tomando a nossa catequese:

- uma inserção maior no conjunto de toda a pastoral esta vem procurando torna-se cada vez mais uma pastoral orgânica;

- a apresentação de uma nova imagem da pessoa de Jesus Cristo e sua prática, da Igreja, e do homem

- a consideração da pessoa humana como um todo, com seus direitos e deveres, suas dimensões individual, comunitária e social;

- a luta pela libertação integral do homem, reconhecido como sujeito de sua própria história;

- o relevo dado às comunidades eclesiais de base e à opção preferencial pelos pobres;

- a preocupação por um ensino sistemático dos conteúdos da fé, através de um roteiro nacional.

Ao lado dessas aquisições, porém, cabe não perder de vista as deficiências que a catequese no Brasil continua mostrando:

- ainda não atinge permanentemente a todos os cristãos, especialmente os jovens e adultos, os universitários, o operariado nos grandes centros e as elites intelectuais

- às vezes, fica em dualismos e falsas oposições, como entre a catequese sacramental e catequese vivencial, entre catequese doutrinal e catequese situacional;

- publicações catequéticas fracas e às vezes questionáveis do ponto de vista doutrinal e metodológico;

- em certos lugares, a catequese ainda continua a merecer maior atenção de nossa parte, de sacerdotes, de seminaristas, de religiosos, e também não encontra apoio suficiente nas famílias;

É compreensível que cada um, num processo complexo como é o da catequese, acabe por favorecer um ou mais elementos integrantes do processo, em detrimento de outro. Ter bom senso, vida de oração, comunhão com o Cristo Eucarístico vivendo com Ele, por Ele e nEle.