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domingo, 26 de agosto de 2012

Agosto, mês das vocações


Todos os anos a catequese, a escola e principalmente a igreja fala de vocação. A escola passa trabalhos de pesquisa para as crianças... Será que uma pesquisa feita as pressa, copiado da internet, muitas vezes sem ao menos uma leitura por parte da criança, ensina alguma coisa? A vocação na catequese já faz parte das disciplinas.  A igreja catequisa e celebra as quatros, as vezes cinco semanas de agosto. Mas afinal, o que é vocação? 
A palavra vocação vem do verbo no latim "vocare" (chama). Assim vocação significa chamado. Mas quem chama?
Deus é criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, portanto somos sua criação. Quando deus criou o homem, soprou sobre ele o hálito da vida. A nossa vida é um dom de Deus. "Somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus"(Ef 2,10). Existimos, vivemos, pensamos, amamos, nos alegramos, sofremos, nos relacionamos devido ao dom de Deus depositado em nós na criação. Não somos uma existência lançada ao absurdo. Somos criaturas de Deus, criados como filhos para merecermos a herança da vida eterna. Deus, no seu amor infinito, além de dar a vida (nosso primeiro chamado: “A existência”), e SEU desejo é que a nossa vida seja eterna. Para isso ELE nos chama a direcionarmos a nossa vida ao céu. Deus nos orienta à felicidade, através do serviço ao irmão, pois ninguém pode ser feliz sozinho.
Vocação à existência, à vida.
Foi o primeiro momento forte em que Deus manifestou todo o seu amor a cada um de nós. Deus nos amou e nos quis participantes de seu projeto de criação como cooperadores responsáveis por tudo o que existe. O seu sopro de vida sobre nós nos fez à Sua imagem e semelhança. A vida é a grande vocação. Deus chama para a vida, e Jesus afirma que veio para que todos a tenham em abundância. (Jo 10,10) 

Quando alguém chama espera uma resposta. Sua vida é a resposta. Se você responde sim ao projeto de Deus, sua vida se torna a própria vocação. Encontramos na Bíblia muitos chamados feitos por Deus: Abraão (sua vocação “a fé”), Moisés (sua vocação “a obediência”), Maria (sua vocação “o serviço” – “Eis aqui a escrava do Senhor”)... Em todas as escolhas, encontramos:
  • Deus chama diretamente, pela mediação de fatos e acontecimentos, ou pelas pessoas.
  • Deus toma a Iniciativa de chamar.
  • Escolhe livremente e permite total liberdade de resposta.
  • Deus chama em vista de uma missão de serviço ao povo.
Vocação é o encontro de duas liberdades:
  • A de Deus que chama
  • A do Homem que responde
Devemos fazer uma distinção entre os chamados: vocação à existência, vocação humana, vocação cristã e vocação específica, uma sobrepondo-se à outra.

Vocação humana - Ser gente, ser pessoa.
Foi nos dada a condição da "liberdade dos filhos de Deus", inteligência e vontade. Estabelecemos uma comunhão com o Criador e, nessa atitude dialogal, somos pessoas. A pessoa aprende a conviver, a dialogar, enfim, a se relacionar. Todos têm direitos e deveres recíprocos. Infelizmente, a obra-prima do Criador anda muito desprezada: enquanto uns têm condições e oportunidades, outros vivem na miséria, sem condições básicas para ressaltar a dignidade com que foram constituídos. No mundo da exclusão acontece a "desumanização" e pode-se perder a condição de pessoa humana. A nossa vocação é lutar pelos direitos humanos, dignidade da pessoa, o bem comum, uma sociedade justa e solidária.

Vocação cristã  A vocação cristã é a vocação de filho através do batismo. Todo batizado recebeu a graça de fazer parte do povo eleito por Deus, marcado para ser herdeiro através do serviço à igreja de Deus. Através da vocação cristã, somos chamados à santidade, à perfeição, recebendo a mesma fé pela justiça de Deus. Através da confirmação do batismo, a crisma, fomos eleitos e chamados pessoalmente por Cristo para ser, como cristãos, discípulo missionário. Chamados â fé pelo batismo, a pessoa humana foi qualificada de outra forma. Assim todos fazem parte do "reino de sacerdotes, profetas e reis". (1 Pd 2,9) 
Toda pessoa batizada torna-se uma testemunha do amor de Cristo, participa de uma comunidade de fé como membro de sua Igreja, seguindo caminhos diferentes: Vocação laical, Vocação ao ministério ordenado, Vocação à vida consagrada.

Vocação laical (no matrimônio /no celibato / solteiro - apóstolo)
Todo cristão, solteiro ou casado, ao ser batizado em Cristo, torna-se membro da sua Igreja. No mesmo Cristo ele é convocado a ser apóstolo, anunciador do Reino de Deus, exercendo funções temporais. O leigo vive na secularidade e exerce sua missão insubstituível nos ofícios e trabalhos deste mundo. O Concilio Vaticano II sublinhou que a vocação e a missão do leigo "contribuem para a santificação do mundo, como fermento na  massa. (LG31) 

Vocação ao ministério ordenado (diácono, padre e bispo)
É uma vocação de carisma particular. É graça que passa pela mediação da Igreja particular, pois as vocações são destinadas à Igreja, Instituição fundada por Jesus - "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja" (Mt 16,18)-. Acontece num acompanhamento sistemático, amadurecendo as motivações reais da opção. O ministro ordenado preside e coordena os serviços da comunidade. Por intermédio dos sacramentos, celebra a presença de Deus no meio do seu povo. O presbítero é enviado a pastorear e animar a comunidade. Ele é o bom pastor que guia, alimenta, defende e conhece as ovelhas. "Isto exige humanidade, caráter íntegro e maduro, virtudes morais sólidas e personalidade madura". (OT 11) 

Voca
ção à vida consagrada  (ser irmão religioso ou irmã religiosa / vida ativa ou contemplativa)
O religioso é chamado a testemunhar Cristo de uma maneira radical, vivendo uma consagração total nos votos de pobreza, castidade e obediência. Com a pobreza, vivem mais livres dos bens temporais, tornando-se disponíveis para Deus, para a Igreja e para os irmãos. Com a castidade, vivem o amor sem exclusividade, sendo sinal do mundo l futuro que há de vir. Com a obediência, imitam a Cristo obediente e fiel à vontade do Pai.