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segunda-feira, 31 de março de 2014

Dinâmica de Oração para a Páscoa

Enraizar a Fé nos Sacramentos e frutificar pela força do Espírito Santo

 
             Objetivo geral: celebrarmos na catequese a Pascoa do Senhor Jesus, em unidade com todos os grupos. A ideia é simbolizarmos  a nossa vida com uma ÁRVORE feita em isopor, que será ilustrada de maneira a ficar indentica a mesma, porem terá também um formato de cruz, para que jamáis nos esqueçamos das nossas cruzes. A Árvore para nós terá dois sentidos:
             A- Salmo 1 - Feliz o homem que se compraz na lei do Senhor e nela medita dia e noite. É como árvore plantada à beira das águas: dá fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha. (Medite o salmo completo) A vida da gente é como uma grande árvore. Germina, nasce, dá flores, frutos... do fruto a semente que irá germinar uma nova árvore. Neste ciclo interminável nossa árvore precisa ser cuidada, regada, adubada para que ao florir e frutificar a esperança se renove.
              B- João 15 -  Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Medite até o versículo 10. A vida da gente só tem sentido real se estiver ligada a Deus, pois ele nos deu seu Espírito para que pudéssemos ter vida NEle. Fora DEle nada tem sentido, a felicidade é passageira, logo murcha e seca. Com Ele a felicidade é eterna e sempre dá muitos frutos.
             Objetivo específico: Por outro lado, há que ter sempre em consideração que o que aqui é dado é simplesmente uma proposta, cuja execução ficará em certa medida aberta à criatividade e aos recursos de cada um. A nossa proposta é baseada na catequese que será apresentada aos nossos catequizandos neste tempo.
             Apresentação da Dinâmica: A dinâmica será feita em três fases que corresponderão a três partes distintas da mesma árvore (No caso da nossa catequese sempre acontece aos sábados que antecedem o domingo especificado):
•   Quinta semana da QuaresmaRaízes da árvore (virtudes dos pais de nossa fé, patriarcas e Profetas – Estudo feito na catequese durante o mês de março).
•  Tempo da Páscoa – Ramos da árvore (cada galho representa uma turma de catequese e seu catequista – os galhos menores representam cada catequizando, as folhas representam os dons e os frutos, obviamente o fruto do Espírito Santo).
              Cada grupo de catequese deve assumir a árvore como elemento simbólico porem, especifico para cada etapa, onde o progresso deve se dar através do entendimento e se possível de conversão,  associado à continuidade como percurso que o cristão é chamado a fazer. Ninguém pode querer mudar a partir de cima. É essencial começar pela base, experimentar a conversão a partir das raizes da vida, contemplando a cruz e olhando para ela como tronco forte e sustentável da vida da qual surgem e nascem os galhos que nos une, e que também trazem a seiva, dons do Espírito que alimentam e geram frutos.
         Cada momento será acompanhado por uma ORAÇÃO, feita de maneira dinâmica e acompanhada da Palavra de Deus. É bom lembrar que um bom terreno (nosso coração) está bem preparado quando se tem uma vida intensa de oração e contrição e a PALAVRA DE DEUS é a fonte da vida. A foto acima exemplifica o modelo que idealizamos.
para que esta dinâmica seja bem feita é importante que vocês possam visitar e ler as dinâmicas seguintes:
O Terreno A vida de oração que brota de um coração sincero


O Fertilizante do Céu:

Dinâmica de Oração para a quaresma - A Água e o Adubo. 

As dinâmicas estarão sendo postadas todas as sextas feiras para quem quiser celebrar conosco.

A dinâmica que apresentamos é inspirada em um material divulgado pela Diocese do Porto
Leia a matéria completa aqui ►

domingo, 9 de março de 2014

Celebração do Rito de Admissão das crianças na Catequese do Ipu

«A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, que compreende especialmente o ensino da doutrina cristã, ministrado em geral dum modo orgânico e sistemático, em ordem à iniciação na plenitude da vida cristã».  Sem se confundir com eles, a catequese articula-se com um certo número de elementos da missão pastoral da Igreja que têm um aspecto catequético, preparam para a catequese ou dela derivam: o primeiro anúncio do Evangelho ou pregação missionária, para suscitar a fé; a busca das razões de acreditar; a experiência da vida cristã; a celebração dos sacramentos; a integração na comunidade eclesial; o testemunho apostólico e missionário  «A catequese está intimamente ligada a toda a vida da Igreja. “Dependem essencialmente dela não só a expansão geográfica e o crescimento numérico, mas também, e muito mais ainda, o crescimento interior da Igreja e a sua conformidade com o desígnio de Deus”. CIC 5-7 Sendo assim, a catequese é essencial na vida do cristão. Marcamos início aos 7 anos sem data de parada ou finalização.

Para demonstrar o valor da catequese na vida de seus paroquianos, a Paróquia do Ipu fez hoje a abertura oficial do processo de iniciação à vida crista das crianças em idade de catequese na Matriz. Esta celebração já vem acontecendo nas capelas e comunidades onde existe catequese. Hoje acontece com todos os grupos de catequese da Matriz em três celebrações: A primeira foi as 7 horas na Capela de Nossa Senhora no Patronato Sousa Carvalho, com a participação dos grupos de catequese: Medalha Milagrosa do Patronato Sousa Carvalho, Centro Educacional mundo Encantado da escola CEME  (mesmo nome), Nossa Senhora das Graças do Mundo Encantado( antigo Monsenhor Gonçalo), Nossa Senhora de Fátima do bairro pedrinhas, Nossa Senhora das Dores da escola Valdimira Coelho nos canudos e  Divina Misericórdia no bairro do Escondido> As demais acontecerão as 18 horas na Capela João Paulo II e as 19 horas no Santuário das Graças.
A celebração foi presidida pelo Diácono Lucas com a presença de todos os catequistas destes grupos, catequisandos e catecúmenos com seus respectivos introdutores, a maioria pais.
O Diácono acolheu e celebrou a primeira parte do Rito na porta de igreja, introduzindo os novos catequisandos e catecúmenos na primeira fase da catequese e na assembleia para a celebração da Palavra. Os Pais presentearam seus filhos com o primeiro catecismo, um livro exclusivo da catequese paroquial.  Após a homilia os pais das crianças que estão na segunda fase presentearam seus filhos com a sua primeira Bíblia.
O que acho lindo nesta maneira de catequisar é ver os pais entregando seus filhos aos cuidados da igreja para a catequese. Sabemos que todos os pais devem ser os primeiros catequistas dos filhos (DC 84 – nº. 238), e que todo o crescimento dos filhos deve ser permeado, pelo constante testemunho dos pais sendo um exemplo de vida cristã. Não há melhor catequese inicial que “a experiência cristã vivida no ambiente familiar, pois é um marca decisiva para a vida do cristão”. Por isso se faz necessário que os pais percebam que o acompanhamento catequético nada vai mudar na vida de seu filho se ele não tiver um testemunho que seja observado no seu dia a dia junto de sua família.
“A catequese é um aprendizado dinâmico da vida cristã (…) vai além do ensino, ela põe em prática a dinâmica do encontro com Jesus Cristo (…) ela educa para a vida de comunidade.” (DC 84 – 40).  É preciso nos conscientizarmos de que a catequese é uma educação da fé que tem início a  na família e se estende até a comunidade cristã. Que para educar hoje na fé a crianças e adolescentes, é necessário inovar, mas não deixar a pratica de antigas raízes da nossa fé, isto é: a oração, a missa, o comprometimento com a comunidade local entre outras coisas que devem ser praticado em família. A catequese não acontece uma vez por semana quando o catequizando está junto ao catequista, que basta deixá-la na frente da Igreja e vir buscá-la depois, isso é parte de uma grande estrutura que envolve a dinâmica de tornar este adolescente um cristão comprometido com o Reino de Deus, com a Palavra de Deus, com a sua comunidade, com sua família, consigo mesmo.

Para muitos o Rito de Admissão na catequese é coisa nova; Porem, afirmo que não. Foi o Concílio Ecumênico Vaticano II (1961-64), instrumento maravilhoso da renovação da Igreja suscitado pelo Espírito Santo, que pediu que se restabelecesse  “o Catecumenato e os sagrados ritos a serem celebrados em tempo sucessivos, conforme a  tradição” (Constituição dogmática “Sacrosanctum Concilium - 1963).
No inicio da Igreja, durante o 2º, 3º e 4º século da era cristã,  chamava-se  “Catecumenato” o itinerário espiritual com que era iniciados na fé, na vida cristã e na comunidade os que queriam ser discípulos de Jesus Cristo e membros da Igreja de Jesus Cristo. O tempo glorioso do Catecumenato foi na época dos chamados “Santos Padres da Igreja”: Santo Hipólito, Tertuliano, São João Crisóstomo, Santo Agostinho, Santo Ambrósio, etc.: um tempo de grande ardor evangelizador e missionário.
O Catecumenato, incluindo o tempo do pré-catecumenato, tinha a duração de até três anos. A última etapa do catecumenato era a Quaresma e culminava na Vigília Pascal, com a celebração dos três Sacramentos da Iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia.  Os catecúmenos eram introduzidos por uma pessoa da comunidade chamada “Introdutor”, ou “garante”, ou “padrinho” (“madrinha”); eram acompanhados por um  Catequista  que lhes mostravam a verdade e o caminho de Cristo e por toda comunidade que celebrava as diversas etapas destas iniciação.

Em 1975, Papa Paulo VI  promulgou o “Ritual de Iniciação Cristã de adultos” (RICA): um ritual com que as comunidades cristãs e seus padres devem acompanhar, com ritos e celebrações, o itinerário espiritual da iniciação cristã, o catecumenato.   Depois de um tempo de esquecimento, o RICA foi reeditado para a Igreja do Brasil, no ano 2001, em ocasião da 2ª. Semana brasileira de catequese e, felizmente, começa a ser assumido nas comunidades.
Conforme o RICA, os sagrados ritos catecumenais devem marcar o itinerário da iniciação cristã seja dos jovens e adultos, seja das crianças e adolescentes em idade de catequese.  No capítulo V do RICA, com o título “Ritos de Iniciação de crianças em idade de catequese”,  se diz claramente que alguns ritos devem ser usados também com as crianças da catequese: não só com que devem ser batizados, mas também com as crianças que, já batizados na infância, estão preparando-se para a Primeira Comunhão. “Com efeito - diz o Rica - as crianças que vão ser iniciadas para o Batismo pertencem, geralmente, a um grupo de companheiros já batizados, que se preparam para a Eucaristia!”
 
No Catecumenato Eucarístico, procuramos vivenciar o espírito do Catecumenato para uma autêntica iniciação cristã com crianças e adolescentes, e também fazer os Ritos que o RICA propõe no Cap. V: Rito de Admissão (ou: “Rito de  instituição dos catecúmenos”; Rito de Purificação (ou: “Escrutínios”); Batismo e Primeira Eucaristia.

Estas práticas são da igreja, portanto não é nada novo, más um desafio muito grande para nós catequistas introduzir na comunidade, devido ao desconhecimento da história da igreja. Contamos com as bênçãos de Maria, nossa mãe Santíssima, a luz do espírito Santo e a ajuda dos Santos e Anjos para esta caminhada de fé, onde iremos ajudar estas crianças abrirem mais uma porta na vida em direção ao Reino de Deus. Queremos fazer deles discípulos missionários do Senhor. Jesus espera isto de nós.

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quarta-feira, 5 de março de 2014

Dinâmica de oração para a quaresma

A Quaresma é o um grande retiro espiritual que todo cristão aproveita para visitar o deserto da sua vida; na aridez das areias que estão constantemente mudando de lugar, preparar um terreno onde possa plantar uma boa semente e assim, quando a árvore crescer e frutificar, você possa colher os frutos do Espírito Santo.
É nesta época que buscamos o que há de pior em nós e tentamos melhorá-lo. É o tempo em que, privilegiadamente, tentamos aproximar-nos mais da perfeição e do legado que Jesus nos deixou.
Este é o tempo em que cada um de nós faz uma caminhada em direção a Cristo, buscando o caminho da perfeição, rumo a uma sociedade justa e solidária.
Queremos propor uma dinâmica de oração quaresmal, onde o propósito será a preparação do seu coração e espírito para a Páscoa.
Por que uma árvore? Em primeiro lugar, também nós, na nossa caminhada, somos como árvores: há uma Palavra (a semente), que Alguém planta em nós. Há medida que vamos crescendo em Fé, vamos ganhando raízes, troncos, ramos, e, eventualmente, a nossa Fé frutifica – em obras, testemunho, evangelização…
Esperamos que cada um daqueles que nos acompanharem possam comentar, dizendo como está o seu crescimento, a sua frutificação, o seu germinar, como está regando e adubando sua árvore, ou seja: como está o seu contato com o Senhor. O nosso propósito é poder ressuscitar com Jesus e assim termos uma santa Páscoa.



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terça-feira, 4 de março de 2014

Mensagem do Papa Francisco para a quaresma

O convite aos cristãos para testemunharem sua fé por meio da convivência comunitária é feito pelo papa Francisco em sua mensagem para o Quaresma 2014, que terá início no dia 05 de março, Quarta-feira de Cinzas. O texto divulgado pelo Vaticano, apresenta algumas reflexões chamadas pelo de “caminho pessoal e comunitário de conversão”.
“O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança”, disse o papa Francisco. Confira a íntegra da mensagem:
Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9)
Queridos irmãos e irmãs!
Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?
A graça de Cristo
Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).
A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).
Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).
Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.
O nosso testemunho
Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo.
O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.
Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.
O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.
Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.
Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir.
Francisco 
Fonte: CNBB
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Significado da Cerimônia de Cinzas



O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.

Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".

Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.

Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.

Bênção e imposição das cinzas no início da Quaresma
(Quarta-feira de cinzas)

Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19). Somo chamado;

Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.

Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.

Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Faça uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando a atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.
Leia a matéria completa aqui ►

O significado do nome Quaresma


Chamamos de Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos Apóstolos, que limitaram sua duração a 40 dias , em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual e onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar seu espírito para a Páscoa.
Nesse tempo santo, a Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Iniciamos a Quaresma marcando a testa com cinzas na quarta feira pós-carnaval, para lembrar o fim da própria mortalidade. Essa marca normalmente permanece na testa até o pôr do sol. Esse simbolismo faz parte da tradição demonstrada na Bíblia, onde vários personagens jogavam cinzas nas suas cabeças como uma prova de arrependimento também como prova do seu desgosto.
Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo.
Qual o significado destes 40 dias?
O povo tem tentado entender o significado dos números, porém é, provavelmente, impossível chegar a uma explicação plena e completa. Cada povo constrói uma simbologia muito própria. Portanto, não é possível explicar o significado hebraico do número 40, tomando por base o sentido egípcio ou cananeu.
No Antigo Testamento, o número 40 ocorre muitas vezes relacionado a momentos significativos da história bíblica. Entre tantas ocorrências, quatro são destaques no Antigo Testamento: o período do dilúvio foi de 40 dias (Gn 7.4); os hebreus caminharam 40 anos pelos desertos até atingir Canaã (Js 5,6); a duração do bom reinado de Davi foi de 40 anos (2Sm 5.4); Elias caminhou 40 dias para encontrar com Deus no Sinai (lRs 19.8). Não deveríamos entender o número 40 como um múltiplo de quatro? 
Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. provavelmente, tem a ver com os quatro pontos cardeais dos quais vêm os quatro ventos que abastecem a terra de oxigênio. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades.  O relato da Criação afirma que quatro rios irrigam toda a terra (Gn 2.10-12). Não estaríamos diante do símbolo da intervenção divina que renova a vida e a esperança no mundo? Por tudo isso que foi falado, acima, provavelmente, o número 40 sinaliza o início de um novo período de atividade de Deus.

No NT, o simbolismo do número 40 continua. Por exemplo, Jesus recolhe-se no deserto por 40 dias e 40 noites (Mt 4.3; Mc 1.1; Lc 4.2). Uma outra ocorrência significativa, na vida e obra de Jesus, é mencionada por Atos dos Apóstolos: Jesus, após a ressurreição, permaneceu na terra 40 dias (At 1.3).
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